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22 Mai 2017Smartphone 'flexibiliza' a vida de executivos

Quando está à frente de um projeto importante, a executiva Alessandra Guardia, sócia da consultoria Hirashima & Associados, desperta de madrugada sempre que ouve o "plin" do seu celular durante a madrugada. "Prefiro acordar, checar e ficar ciente, sem arrancar os cabelos de manhã", diz ela, admitindo que é "dependente" do smartphone. Lê os e-mails o dia todo, mesmo no trânsito. "Na Marginal Pinheiros, respondo e-mails e penso: "eu sei que vou bater esse carro"."

A relação orgânica com o telefone também faz parte da vida da consultora Glaucy Bocci, do Hay Group. "Prefiro levar o telefone para as férias e checar o e-mail de vez em quando do que ficar dias relendo mensagens atrasadas", diz. Para ela, o uso do smartphone é uma forma de evitar que o profissional fique dia e noite no escritório, o que ela diz traduzir em qualidade de vida. "Facilita a vida, mas também admito que é uma coleira eletrônica."

Segundo Glaucy, que trabalha na captação de profissionais para cargos de gerência e diretoria, um dos principais fatores de atração de profissionais atualmente é o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Em um mercado ainda preso à noção de cumprimento da jornada, qualquer ferramenta que flexibilize o dia a dia é bem-vinda. Nesse sentido, explica a consultora, os aparelhos que permitem levar o trabalho para casa são vistos de forma positiva pelos profissionais.

Do ponto de vista jurídico, executivos que alegam trabalhar fora do expediente têm pouca chance de ter sucesso em processos trabalhistas, segundo Marcelo Gômara, sócio do escritório Tozzini Freire Advogados. "A questão não são as horas extras, já que executivos e trabalhadores externos, como os vendedores, não têm esse benefício. Já o uso do celular nas férias pode gerar reclamação, pois esse período é sagrado", explica. "Mesmo assim, se a pessoa só usou o telefone uma ou duas vezes nesse período, o juiz pode ser complacente em relação ao tema."

Processo. Embora as empresas estejam relativamente protegidas, a popularização desse tipo de aparelho pode se traduzir em mais reclamações na Justiça. Para o consultor Marcelo Santos, da consultoria Doers, a pulverização dos smartphones entre os funcionários é uma tendência que se espalha rapidamente. "Entre os mais jovens, trabalhar usando esse tipo de aparelho se tornou um sinal de status."

Segundo Gômara, a Justiça do Trabalho tem um lado "Robin Hood", que costuma ficar ao lado do trabalhador que não recebe altos salários. "Geralmente, os juízes não são simpáticos à ideia de alguém que ganha R$ 15 mil ou R$ 20 mil por mês pedir hora extra. Quando a remuneração é menor, a coisa muda. E, agora, a gente já começa ter notícia da proliferação do BlackBerry entre o "baixo clero"."

O advogado Renato Canizares, da área trabalhista do escritório Demarest & Almeida, afirma que as empresas devem estabelecer parâmetros para o uso dos smartphones, especialmente aqueles de propriedade da corporação. "O melhor é recomendar que o aparelho seja usado somente em horário de trabalho."

Em resumo, o que os juristas e consultores recomendam é que as empresas evitem exageros no uso dos smartphones. É justamente esse equilíbrio que Paulo Planet, diretor-geral do site ObaOba, do grupo RBS, diz buscar no dia a dia: "Viajo muito a Porto Alegre e sou refém dos e-mails - tenho um iPhone pessoal e um BlackBerry da empresa, que acabo usando a maior parte do tempo."

Todos os dias, ao acordar, a primeira coisa que Planet faz é checar e-mails e acessar dois ou três sites, ainda na cama. "É uma ferramenta que dá conforto e agilidade, e acho crucial para o meu trabalho." Mas ele afirma que tudo tem limite: na hora de dormir, conta, os dois aparelhos ficam devidamente desligados.

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